O capitão Amarantes, subcomandante da 5ª ZPol, determinou que uma guarnição da PM fosse até o local checar a denúncia e encontrou Adelson da Vera Cruz, de 21 anos, vulgo “Bocão”. Ele, no primeiro momento, negou ter participação nos crimes e disse que a culpa seria de Dileno José Ferreira de Souza, 19, que ainda está foragido.
Bocão” foi conduzido até a Seccional Urbana da Marambaia e apresentado ao capitão Amarantes e ao delegado Walter Rezende. Uma hora e trinta minutos depois de ser interrogado pelos policiais, “Bocão” decidiu confessar que esteve junto com o bando que invadiu a casa na ocupação Nova Esperança II, na Cabanagem, no início da madruga de domingo, resultando na morte de quatro pessoas de uma mesa família. O acusado disse que ficou do lado de fora da casa apenas “passando o pano”, ou seja, olhando para a rua, vigiando se a polícia aparecia no momento das execuções. Após o crime praticado, cada um dos cinco envolvidos fugiu.
Eu fiquei só olhando lá fora e eles que mataram as pessoas lá dentro”, confessou “Bocão”. O capitão Amarantes recebeu uma nova denúncia e o tenente Figueiredo, juntamente com o tenente Rodrigo, foi até o local onde estaria mais um envolvido nas mortes.
A equipe do programa ROTA CIDADÃ 190 e DIÁRIO DO PARÁ acompanharam, com exclusividade, toda ação das Polícias Civil e Militar. O delegado Walter Rezende e sua equipe também acompanharam a operação indo até uma residência localizada na passagem das Flores, no bairro do Una.
“A informação que recebemos é que o ‘Claudinho’ está aqui dentro da casa e foi ele quem matou algumas daquelas pessoas”, informa o capitão Amarantes à reportagem, enquanto fazia o cerco na casa.
A residência foi cercada pela polícia. Do lado de fora, ouvia-se gargalhadas e músicas, já que “Claudinho” estaria reunido com um grupo de amigos consumindo bebida alcoólica. “Claudinho” chegou a perceber que a casa estaria cercada por policiais, e quando tentou fugir pela porta dos fundos da residência, foi interceptado por uma guarnição policial. Sem ter para onde correr, o acusado sacou um revólver calibre 38 e atirou contra os policiais, quase atingindo a cabeça do tenente Figueiredo, iniciando um intenso tiroteio no local. “Ele está atirando. Cuidado! Cuidado!”, gritavam alguns policiais aos colegas de farda.
Mesmo durante a troca de tiros, moradores da área saíram de suas casas para ver o que estava acontecendo no meio da rua e muitos acabaram sendo alvos de balas perdidas. Com a casa cercada, “Claudinho” continuou atirando em quem se aproximava das portas e janelas, mas acabou sendo atingido por mais de dois tiros na região do tórax. Ferido, os policiais tentaram socorrer o acusado colocando-o dentro de uma viatura da PM, mas “Claudinho” não resistiu e morreu à caminho do Hospital Metropolitano.
No interior da residência, foram encontradas várias garrafas de bebida alcoólica, dois adolescentes e duas mulheres, sendo uma delas a neta da dona da casa. “A gente não conhece ele. Não sabia que ele estava envolvido com as mortes daquela família”, diziam repetidamente as pessoas que estavam na companhia de “Claudinho”.
Até o final da noite de ontem, a polícia procurava saber mais detalhes sobre “Claudinho”, saber se ele tem passagem na polícia e nome completo, enquanto as pessoas que estava na “farra” foram encaminhadas para averiguação na Seccional da Marambaia.
Raimundo Nonato Reis Cunha, ex-policial militar, expulso no ano passado da corporação por envolvimento com tráfico de drogas, foi preso acusado de ser o fornecedor das armas aos executores. A polícia ainda colhe mais informações para chegar aos demais integrantes do bando. (Diário do Pará)


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