Os seguranças são cerca de dez, alguns do próprio Bope carioca, contratados por José Padilha para proteger os rolos de película contendo o filme "Tropa de Elite 2".
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| Leticia Moreira/Folhapress |
Naquele ano, "Tropa de Elite" foi copiado e vendido por camelôs. Segundo o Ibope, estimadas 11 milhões de pessoas assistiram à história em cópia pirata.
Depois desse escândalo, nada é exagero para esse pessoal: revistar patrocinadores na pré-estreia, usar detector de metais em convidados, reter cerca de 400 celulares em envelopes pardos numerados ou esconder o trabalho até do elenco, que só assistiu ao filme anteontem --com exceção de Wagner Moura, por ser co-produtor.
HISTÓRIA
"Tropa de Elite 2" custou R$ 12,5 milhões e traz todas as pancadarias, os tapas na cara e as torturas em traficantes já vistas no primeiro exemplar. Mas o novo herói brasileiro, Capitão "Rambo" Nascimento, desta vez troca a bazuca pela gravata. Ele sai do Bope e se torna funcionário público, subsecretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro.
Ali, Nascimento parece ganhar a guerra contra as drogas, mas milícias formadas por policiais corruptos mostram que "o sistema" está sempre pronto para transformar miséria em dinheiro.
A continuação é bem violenta e é mais complexa. Na saída da pré-estreia, um rapaz engravatado recebeu um folheto e perguntou: "É a explicação do filme?".
Sobre política, Padilha diz: "Não fiz o filme para influenciar o primeiro ou o segundo turno da eleição. Falo do Brasil em geral, a corrupção está aí, seja qual for o partido".
SEGURANÇA
O esquema antipirataria imaginado por ele e pelo ex-policial Rodrigo Pimentel começou na montagem de "Tropa de Elite 2", quando alugaram um apartamento residencial num predinho no Leblon e lá montou uma ilha de edição. Cerca de 10 pessoas sabiam o que se passava, o que não incluía o porteiro ou o dono do imóvel.
Após tratamento das imagens e do som, feitos separadamente, o momento crítico aconteceu na mixagem dos dois: era aqui que se podia roubá-lo. A saída foi instalar câmeras para filmar 24 horas quem entrasse na sala.
"Cada cópia tem uma marca d'água invisível que permite rastrear o cinema de onde a cópia foi pirateada", diz Padilha, que conseguiu, com esses procedimentos, proteger a obra até agora.
Mas isso é até hoje. Amanhã, com a estreia em 636 salas de todo o Brasil, o filme cai na vida. Para o bem e para o mal.
Fonte: Folha de São Paulo

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