domingo, 22 de agosto de 2010

Candidatos precisam ser menos ilusionistas

A questão da segurança pública no Ceará foi o centro de todas as discussões, até o momento, dos candidatos ao Governo do Estado, sobretudo daqueles com mais chances na disputa que travam para alcançar a vitória no dia 3 de outubro. Inquestionável é realmente um dos temas mais importantes do momento, no Ceará e no Brasil, mas não nos parece estar na linha de frente pela sua importância, mas, principalmente por gerar emoção e, por conseguinte resultar naquele de maior apelo eleitoreiro.

É uma pena que estejamos vivenciando uma repetição de discursos da política velha, dissociada da realidade que buscamos para o País, nada qualificador de quem dele faz uso, posto servir apenas para renovar a descrença em todos aqueles mais esclarecidos, torcedores do nascer de uma nova classe política capaz de honrar o cargo, dando exemplo de seriedade, respeito à coisa pública e se fazer merecedor do respeito dos brasileiros.

A segurança é muito importante. Mas, não é mais do que a educação, como também não o é em relação à saúde, todos serviços de responsabilidade direta do Poder público. Aliás, para muitos e nos incluimos entre eles, a educação é a mais importante de todos.

A falta dela faz crescer a insegurança e influencia nos níveis de saúde do povo. Mas a educação não inflama o discurso demagogo dos que estão na disputa pensando em ganhar iludindo o eleitor.
Consistente
Embora se tenha falado muito em segurança, ainda não surgiu um discurso consistente, propostas exequíveis e estratégias compatíveis com a realidade econômica do Estado. Foram só palavras soltas. Já se ouviram promessas de aumento de contingente policial, de maior tempo na formação da tropa, de garantias de promoções regulares para os policiais, de construção de mais delegacias, enfim, de várias outras. Só não se ouviu ou discutiu foi quanto à viabilidade de tudo isso, no espaço do mandato de quatro anos.

E o aumento do número de professores e de médicos e demais servidores da saúde, também necessitados de cursos de qualificação, plano de cargos e salários? Todos esses ficariam em segundo plano? E os demais setores do serviço estadual?

Nenhum dos candidatos falou do Orçamento do Estado para cada um dos próximos anos. E se ele comporta os gastos com tudo que estão prometendo, só para um dos setores da administração. E não vale dizer que vai buscar recursos da União por que recursos do Governo Federal não são para pagar pessoal. Ainda está em vigor, no Brasil, a Lei de Responsabilidade Fiscal, que aliada aos poucos recursos da arrecadação própria e das transferências constitucionais inviabilizam muitas das promessas

Os exemplos de promessas não cumpridas são inúmeros. Os candidatos precisam respeitar a inteligência das pessoas. A campanha é, sim, o momento de fazer promessas, mas, que possam ser efetivadas. Prometer para chegar lá e apresentar desculpas, com alegações esfarrapadas, é dar margem para ser comparado aos que faltam com a verdade.

Ademais, a discussão sobre os problemas do Estado não devem estar circunscritos à educação, saúde e segurança. Há muito mais para o candidato posicionar-se, mostrando suas ideias para que possam ser avaliadas pelo eleitorado e confrontadas pelos outros postulantes.

EDISON SILVAEditor de Política
Diário do Nordeste

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