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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Reisado tematiza filmagens

FOTO: ELIZÂNGELA SANTOS
Crato. Grupos de tradição popular do Cariri estão sendo documentados por meio do projeto "No Terreiro dos Brincantes". O primeiro documentário foi sobre "Mulheres do Coco da Batateira" e o segundo sobre a "Mestra Zulene Galdino". Agora será a vez do Reisado Dedé de Luna, no bairro Muriti, no Crato. O reisado teve sua primeira formação em 1955, no Sítio Cobras, constituído por homens que animavam as renovações em sítios do Município. As brincadeiras atravessavam um dia para o outro. A segunda formação ocorreu em 1984 já no Bairro Muriti e tendo à frente as filhas do Mestre José Francisco Luna, popularmente conhecido como Dedé de Luna.

O grupo inicialmente era denominado de Decolores. Após a morte do Mestre em 2002, a filhas prestaram uma homenagem mudando o nome do Reisado para Dedé de Luna. Atualmente constituído por 30 brincantes, a maioria mulheres, o reisado se destaca pela inovação das roupas que recebem detalhes minuciosos de lantejoulas, espelhos e tecidos brilhosos. O traje se diferencia dos demais reisados da região do Cariri.

Atualmente coordenado pela filhas, mestras Mazé e Penha, o trabalho se renova e cresce. Além desta tradição, o grupo mantém ainda teatro de rua, coco, lapinha e reisado infantil.

A história do grupo será resgatada pelo documentário que contará a trajetória desse reisado, grupo que se mantém vivo há várias décadas. O trabalho será o terceiro desenvolvido pelo Projeto "No Terreiro dos Brincantes". É realizado pelo Instituto Ecológico e Cultural Martins Filho (IEC), vinculado à Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Regional do Cariri (Urca) e ao Coletivo Camaradas.

Para a Mestra Mazé, esse documentário é importante para o grupo, pois fica na memória das pessoas. Ela destaca que resgatará uma história que vem de uma tradição e que servirá como fonte de pesquisa para estudiosos do assunto. A acadêmica de História da Urca e monitoria do Ppojeto "No Terreiro dos Brincantes", Ana Cristina de Sales enfatiza que o trabalho é uma forma de se aproximar e conhecer a realidade dos grupos da cultura popular.

Ela destaca que os documentários são importantes recursos pedagógicos para serem utilizado em sala de aula. Já o professor Alexandre Lucas, coordenador do projeto "No Terreiro dos Brincantes", ressalta que o documentário será disponibilizado na Internet para que as pessoas possam ter acesso de forma democrática. Lucas enfatiza que serão produzidos mais nove documentários.

O projeto "No Terreiro dos Brincantes" visa contribuir para a memória social e afirmação da identidade e diversidade cultural das manifestações artísticas e culturais da região do Cariri. O trabalho é desenvolvido através de registros audiovisuais e entrevistas com os mestres e mestras do saber popular na própria comunidade. Um dos objetivos do documentário é contextualizar a realidade socioeconômica dos brincantes. O projeto conta com sete acadêmicos monitores.

Fique por dentro
Novas formações
O Cariri tem a presença de dezenas de grupos de reisado, em diversas cidades da região. Novos grupos têm sido formados, com crianças e adolescentes, objetivando manter a tradição. Luís da Câmara Cascudo, no seu Dicionário do Folclore Brasileiro, diz que reisado é a denominação erudita para os grupos que cantam e dançam na véspera e no Dia de Reis. A manifestação chegou ao Brasil através dos colonizadores portugueses, que ainda conservam a tradição em suas pequenas aldeias, celebrando o nascimento do Menino Jesus, o Filho de Deus.

Fonte: Diário do Nordeste

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